Histórico

HSJA

Uma história de lutas e vitórias

O Hospital São José do Avaí foi concebido no ano de 1925, quando homens ilustres de Itaperuna, preocupados com a saúde pública municipal, reúnem-se a convite do juiz local, Diogo Soares Cabral de Mello para fundar  uma conferência que mantivesse um ambulatório para atendimento aos doentes da cidade.

Sem saneamento básico, postos médicos ou campanhas de prevenção a doenças, a população sofria com doenças hoje incomuns na região, como a febre tifóide – que fez numerosas vítimas nas décadas de 20 e 30 – e o tétano. As mulheres e os bebês corriam grandes riscos com a falta de assistência médica e cirúrgica. Os pais recorriam aos farmacêuticos ou  à sabedoria popular para curar suas crianças. Itaperuna, naquela época, era a imagem do interior do Brasil, que só nesse período ganhou programas de educação sanitária, escola de enfermagem e previdência social.

No entanto, se hoje a evolução tecnológica e as descobertas científicas muitas vezes se realizam nos grandes centros e custam a chegar nas pequenas cidades, ainda mais no início do século passado o interior carecia de atenções e iniciativas. Em Itaperuna, decidiu-se, em 1925, não esperar mais as vontades políticas.

Naquela reunião em casa do Dr. Diogo Soares Cabral de Mello, o médico Raul Travassos da Rosa, os coronéis Francisco Monteiro de Barros, Romualdo Monteiro de Barros e José Pinto de Sá Viana, o advogado Macarino Garcia de Freitas e os senhores Mário Dias, Maximiliano de Souza, Francisco Pontes, José Carlos Moreira Brandão, Edmundo Rocha, Emilio Silva e Briolanjo Nogueira assumiram o compromisso de levar Itaperuna à evolução, mesmo que a passos modestos.

Até a inauguração do Ambulatório São José, que foi construído com recursos da comunidade em terreno cedido pela prefeitura no lugar onde hoje fica a Fundação São José, foram cinco anos de trabalho. E, ainda assim, fazer funcionar aquela pequena estrutura – uma sala de operações, duas enfermarias gerais, quatro particulares e uma capela – não foi tarefa fácil. Por falta de recursos, o Ambulatório atendeu durante poucos meses após sua abertura e ficou fechado por mais de dois anos, atendendo apenas alguns casos emergenciais. A reabertura acontece apenas em 1933. Nesse mesmo local, o Ambulatório, mais tarde Hospital São José do Avaí, funcionou até 1966, quando foi transferido para o prédio atual.

O atual prédio do Hospital São José do Avaí foi construído pelo Governo do Estado, inicialmente, para abrigar o Hospital Regional Miguel Couto. Tendo desistido da obra, quase pronta, o Estado doou o prédio para a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Adolescência de Itaperuna, que negociou a troca de sede com a Conferência São José do Avaí.

Presidente da Conferência desde 1983, o cirurgião Renam Catharina Tinoco já atuava no Hospital quando ele ainda funcionava no primeiro prédio e participou da mudança. Suas lembranças apontam curiosidades como a pequena quantidade de camas e equipamentos perdida dentro de um espaço tão grande.

“Aos poucos nós fomos conseguindo firmar convênios e adquirir leitos, maquinários e tudo o mais que precisávamos. Mas a participação da comunidade foi muito importante até que o Hospital se firmasse com as verbas oficiais”, conta.

A participação da comunidade no desenvolvimento do Hospital aconteceu das mais diversas formas, principalmente com doações de roupas de cama e banho, alimentos e realização de campanhas beneficentes.

Hoje, o Hospital São José do Avaí realiza cerca de 10 mil atendimentos por mês e emprega diretamente mais de 1.250 funcionários. A excelente qualificação de seus profissionais resulta em reconhecimento a níveis estadual e nacional, inclusive do Ministério da Saúde. Se no início do século XX, Itaperuna clamava por iniciativas de saúde pública, no século XXI, sem deixar de reconhecer que ainda há muito por fazer, a cidade ensina procedimentos e exporta conhecimento. Isso acontece porque nós entendemos que a força de vontade é capaz de muitas coisas.